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Em webconferência, correspondente na China fala de censura, fuso horário e dificuldade em aprender o idioma
A China foi o tema principal da webconferência com Fabiano Maisonnave na última sexta-feira (16) durante a 10ª Semana do Jornalismo. A economia e as restrições impostas pelo governo chinês, as dificuldades vividas por um correspondente internacional no país, a carreira jornalística e as principais coberturas como repórter foram alguns dos assuntos tratados pelo correspondente em Pequim da Folha de S. Paulo. Apesar dos problemas técnicos de uma conexão mais lenta devido à proibição do Twitter na China, o atraso na twitcam não impediu a participação dos estudantes. A poluição, o idioma e o fuso horário são as principais dificuldades encontradas por um correspondente internacional na China, segundo Maisonnave. Como ainda não teve tempo suficiente para aprender mandarim, o trabalho fica limitado pela presença do assistente e pela grande burocracia na autorização das entrevistas. “Escrevo uma carta com todas as perguntas e envio por fax com o carimbo oficial da Folha”. Sobre o fuso horário, o correspondente foi incisivo: como as reuniões de pauta acontecem quando é madrugada em Pequim, ele perde “duas, três noites de sono” e precisa “adivinhar o que o jornal quer durante o dia.” Quanto à relação entre brasileiros e chineses, Maisonnave afirma que, apesar de o país adotar uma política muito rígida, nunca sofreu retaliação. Ele acredita que por ser jornalista brasileiro, além da boa relação entre os países, não há tanta preocupação do governo chinês com matérias veiculadas no Brasil. “O nosso país ainda é muito relacionado ao futebol e ao bloco dos países emergentes, o chamado BRICS”. Essa referência, porém, nem sempre é favorável. O governo chinês cita negativamente a falta de planejamento urbano brasileiro. “Os chineses não querem cometer os erros de urbanização da América Latina”. A América Latina também foi abordada durante a webconferência. Como correspondente pela Folha, Maisonnave cobriu a crise de Honduras em 2009, o terremoto do Haiti em 2010 e eleições na Venezuela, Peru, Bolívia e Colômbia. Segundo o jornalista, um momento marcante foi o golpe que levou à detenção e ao exílio do presidente Manuel Zelaya pelo exército em Honduras. Enviado ao país apenas para cobrir um referendo, Maisonnave acabou presenciando a expulsão do presidente, a crise política hondurenha e a volta clandestina de Zelaya para a embaixada brasileira em Honduras. Fabiano conseguiu entrar na embaixada e permaneceu preso por 42 dias, junto ao presidente deposto. “Dormi com a fonte. É estranho acordar no meio da noite com o presidente desviando das pessoas para chegar ao banheiro”, comenta. Para os interessados em seguir a carreira de correspondente internacional, Maisonnave terminou a conversa falando sobre os pré-requisitos necessários. O inglês e o espanhol são idiomas básicos para os jornalistas que pretendem cobrir a América Latina. Na Ásia, aprender a língua local é importante. Além disso, “ler muito sobre política internacional e viajar” é fundamental.
Natália Porto |